Vemos muitas pessoas trocarem de empresa como se trocassem de roupa, apenas valorizando algum benefício a mais que vai receber, sem levar em conta o quanto a empresa investiu nela e lhe deu oportunidades de desenvolvimento. Por outro lado, vemos empresas que dispensam seus colaboradores como se fossem objetos descartáveis, ignorando quantos anos, horas e até saúde que estes profissionais investiram para que a empresa tivesse sucesso e se destacasse no mercado. Na mentalidade deste gestor, sem nenhum peso na consciência, o que importa é diminuir seus custos e evitar quedas bruscas de receita e faturamento.
Diariamente somos informados pelos principais veículos de comunicação sobre a quantidade crescente de profissionais dispensados pelas organizações, independente do seu porte. Isto coloca em dúvida quais são os critérios utilizados para resolver quem vai embora e quem fica dentro da micro, pequena, média ou grande empresa. Ouvimos dos gestores que, em tempos de crise, é necessário cortar, no mínino, 20% do pessoal. A partir deste cálculo aleatório, os executivos passam a ardilosa missão aos líderes de área para resolver quem fará parte da fatídica lista. Geralmente, os critérios mais utilizados são tempo de casa e o custo total na folha de pagamento.
Ao tomar decisões partindo destes princípios, os gestores e líderes estão apenas focando o valor monetário da organização e acreditando que esta decisão é como jogar de um avião as bagagens mais pesadas para que o mesmo possa ter uma melhor aerodinâmica e estabilidade. É neste momento que muitas empresas possivelmente estão se desfazendo de seus maiores patrimônios.
Por falar em avião, um livro recente aborda a história e trajetória de uma empresa aérea norte-americana e como ela atravessou a maior crise da aviação, após o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001. Uma ex-colaboradora da companhia, autora do livro, conta que a organização só conseguiu sobreviver porque a sua filosofia e seus valores culturais não foram alterados.
Com uma conduta demonstrada por meio de práticas diárias de valorização, lealdade e transparência, consideraram que o maior patrimônio são seus colaboradores, e não seus aviões comerciais. Como contrapartida, os colaboradores desdobraram-se para atender bem seus clientes e apoiar os gestores nas situações mais difíceis. Para atravessar e superar uma crise, a organização descartou a ideia de cortar pessoal e decidiu estimular ainda mais seus profissionais para vencerem juntos as turbulências e adversidades econômicas, estruturais e de credibilidade dos passageiros.
Aí está a maior e mais substancial diferença entre as empresas que vencem e as que fracassam. É justamente ter a percepção clara e coerente de qual é o seu maior patrimônio. No processo de contratação de pessoas, os líderes já devem avaliar não apenas um currículo extraordinário, mas também valores morais e pessoais que se identifiquem diretamente com a cultura da empresa.
Somente desta forma as empresas poderão formar uma equipe igualmente consistente e unida nos momentos de glória e de dificuldade. Este fortalecimento permite, inclusive, que todos tirem proveito da situação, quando a turbulência passar. Em tempos de crise, a visão estratégica do futuro rende melhores resultados que medidas drásticas do presente.
Por mais que queiram mensurar a capacidade técnica e intelectual de uma pessoa, jamais conseguirão pagar a ela, o que de fato ela merece. Talvez por isso as pessoas estejam cada vez mais frustradas em suas atividades, pois acham que seu trabalho e esforço valem mais do que recebem.
A remuneração mensal não pode ser o delimitador da inteligência em situação alguma. Um bom profissional precisa ter o reconhecimento (e ele vem, através do salário recebido a cada mês é a realidade) de que está desenvolvendo uma tarefa com qualidade e satisfatória aos usuários das informações fornecidas pelo trabalho a ele delegado.
Entretanto, e é aí que está a linha tênue desta questão, o que acontece é que os empresários confundem (por ignorância ou por conveniência) a capacidade com a remuneração e fazem desta (remuneração) o delimitador da intelectualidade profissional. Um erro fatal que desanima o profissional, que desagrega um grupo de trabalho e que rompe uma parceria (não quebra, mas rompe).
O desafio aos colaboradores é fazer-se valorizar . Por mérito e capacidade próprios, sem pisar em ninguém e sem puxar o tapete de outros tantos. Fazer-se valorizar é demonstrar dia-a-dia nas atividades que desenvolve, nas atitudes que se têm (com relação a si e aos outros principalmente) e nos relacionamentos que são estabelecidos. Demonstrar discernimento, confiança e pensamentos pró-ativos ao desenvolvimento da empresa que é detentora de um patrimônio, em verdade, imensurável.
Já, para os empresários e/ou administradores, o desafio é saber ver em cada funcionário, um patrimônio, um bem que possui sua própria característica que pode ser aproveitada senão no seu máximo, em uma grande parte. Tirar proveito sem aproveitar-se, dando oportunidades de crescimento e condições das pessoas desenvolverem suas habilidades.
O maior patrimônio de uma empresa sempre serão os funcionários: imensuráveis do ponto de vista técnico e humano, mas que estão se perdendo por um delimitador chamado remuneração financeira.

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